
Glioblastoma – 12 a 14 Meses
Estou há precisamente 10 dias para escrever este artigo, mas não estava a ser fácil. Escrever sobre mais uma meta da minha luta contra o Glioblastoma deveria ser fácil, mas esta não é.
Esta se calhar foi das metas mais importantes que bati, principalmente a nível mental. Posso gritar com todas as minhas forças e dizer que bati a esperança média de vida do Glioblastoma, 12 a 14 meses.
Quando tudo começou
A 31 de Janeiro de 2023 dei entrada nas urgências do Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra. Na madrugada de 1 de Fevereiro de 2023 foi me dada a notícia que tinha um tumor cerebral, que só poderiam dar a certeza depois de biópsia mas que tudo apontava para um tumor maligno (Glioblastoma).
O prognóstico veio a confirmar-se alguns dias depois, na consulta pós-operatória, onde, questionado por mim, me foi dita a esperança média de vida de alguém com um Glioblastoma, 12 a 14 meses.
Para quem me segue há algum tempo, nada disto é novidade, mas era importante relembrar estas datas.

As várias metas ultrapassadas
Mesmo antes de saber a esperança média de vida de um doente com Glioblastoma, já me tinha focado que a minha luta, por mais difícil que fosse, ia ser definida por metas. Essas metas eram definidas consoante o desenrolar de tudo. Basicamente, como nós dizíamos era passo a passo. Não pensávamos no segundo passo sem concluir o primeiro.
Mas havia uma excepção, a meta dos 12 a 14 meses. essa meta era para bater, fosse como fosse. Esse era o objetivo principal. Eu brincava inclusive de que embora fosse uma pessoa de dados e estatísticas, esta era a média que eu queria bater.
Para perceberem como eu defini as minhas metas, na lógica do passo a passo, vou vos explicar as metas que fui ultrapassando:
- Passar da urgência para o internamento;
- Ultrapassar a cirurgia cerebral;
- Regressar a casa para recuperar da cirurgia;
- Recuperar da cirurgia e tirar os agrafos;
- 30 sessões de Radioterapia acompanhada com Quimioterapia oral;
- Recuperar dos tratamentos;
- Estar em condições para a despedida de solteiro e casamento;
- Criar um blog de partilha da minha jornada;
- 6 Rondas de Quimioterapia oral;
- Recuperar e esperar por nova cirurgia ao meu Glioblastoma;
- As ressonâncias magnéticas trazerem bons resultados;
- 1 ano após a cirurgia;
- 12 – 14 meses.

11 de Abril
Como disse acima, esta publicação estava difícil de escrever, parecia sempre que as palavras não queriam sair. Pensando não é fácil falar sobre o momento que supostamente já teríamos partido.
Hoje não me perguntem bem porquê foi o dia que senti que devia escrever. Hoje 5 anos depois da morte da minha mãe é o dia que escrevo da felicidade que é ainda estar vivo.
Quem me conhece sabe que sou uma pessoa séptica quanto à espiritualidade e assim, mas sempre respeitei. E se há algo que não consigo explicar é a força que sinto quando penso na minha mãe, na minha avó e na luta que elas tiveram também contra o cancro.

Novas Metas, Novos desafios
Como já referi isto é uma luta contra o tempo, contra um inimigo que não se vê, pelo menos facilmente. O glioblastoma é uma doença que parece que nos faz carregar uma sentença cruel e uma contagem decrescente que parece que nunca para.
O caminho até aqui não foi fácil, nem para mim e muito menos para quem me rodeia. Quem me conhece sabe que desistir nunca fez parte de mim. Por isso, estou aqui, a ultrapassar meta a meta, a superar as expectativas e a vencer as probabilidades.
Novas metas surgem à minha frente, novas oportunidades, novas lutas, mas sempre com a mentalidade positiva e vencedora. Não sei o que o futuro me reserva, mas o presente é para ser vivido com intensidade, amor e muita gratidão.

"O segredo do teu futuro está escondido na tua rotina diária."
Mike Murdock
Daniel Sopas
Sou uma pessoa interessada por tudo e mais alguma coisa tal como sou também criativo, tenho uma mente hiperativa e quase sempre cheia de ideias. Desde Fevereiro de 2023 luto contra um cancro cerebral, um Glioblastoma de grau IV.




