
A Importância Dos Cuidados Paliativos
Uma coisa que me apercebi nos últimos tempos foi que existe uma ideia errada do que são os cuidados paliativos, pelo menos eu notei isso. Eu próprio tinha uma ideia diferente do que eles são realmente.
Ao começar a ser acompanhado pela equipa de Cuidados Paliativos Domiciliários do Baixo Mondego, mudei a minha ideia sobre os paliativos e a sua importância.
O que são Os Cuidados Paliativos?
Para responder a esta pergunta e não dizer nenhuma asneira, fui buscar a informação ao website do SNS. Os Cuidados Paliativos, são cuidados de saúde que procuram melhorar a qualidade de vida dos doentes e das suas famílias.
Eles concentram-se em aliviar o sofrimento, identificar e tratar a dor e outros problemas, quer sejam físicos, emocionais, sociais ou mesmo ao nível de espiritualidade.
Estes cuidados são prestados por uma equipa de profissionais multidisciplinar, que seguem princípios éticos sem apressar ou prolongar a morte do doente.
Também os familiares e cuidadores são uma parte importante, recebendo apoio para lidar com as crises e o luto. Esse apoio é sempre adaptado às necessidades tanto para adultos como para crianças.
Nos Cuidados Paliativos, é a pessoa o foco principal e não a doença, participando ativamente na comunicação e nas decisões necessárias sobre o seu tratamento e respeitando sempre as suas opiniões, valores, crenças e direitos.

Porque é que sou acompanhado pelos cuidados paliativos?
Eu, tal como se calhar muitos de vocês, pensava que os cuidados paliativos eram mesmo só para doentes em fase terminal. Estava completamente enganado.
O acompanhamento dos cuidados paliativos começa muito antes. Logo eu sendo um doente de uma doença grave, um Glioblastoma, fui encaminhado, pela minha Unidade de saúde familiar, para a equipa de cuidados paliativos do Baixo Mondego.
Sendo o Glioblastoma o cancro cerebral mais agressivo fazia todo o sentido este acompanhamento. Assim tenho uma equipa sempre pronta para me ajudar em vários aspetos.
A influência que a equipa de cuidados paliativos teve na minha vida.
Primeiro tenho de apresentar-vos a equipa que me acompanha, é a equipa comunitária de suporte em cuidados paliativos do Baixo Mondego. Uma equipa composta por médicos, enfermeiros, psicólogos e Assistentes Sociais.
Embora todos trabalhem em equipa eu lido mais com a Enfermeira Sara, o Dr. Nuno e a Dra. Célia. Eles é que me aturam mais e como dizia o Marco Paulo, levam com as minhas taras e manias.
Inicialmente a minha dificuldade foi perceber o papel que eles tinham na minha vida. Tive, e por vezes ainda tenho, dificuldade em perceber que o papel deles não era só em ajudar com a minha doença, um glioblastoma, mas com tudo o que ajude a tornar a minha vida com mais qualidade, sem dor, mais tranquila e informada.
Todos eles entraram na nossa casa com uma energia fantástica, sempre com sorriso na cara e muita empatia. Nunca senti de nenhum deles que era mais um doente, sempre me senti mais uma pessoa, um ser humano, um amigo.

Trabalham todos de uma forma muito humana e em equipa, sempre de forma a nos proporcionar a melhor ajuda possível. Não se baseia apenas em dar medicação, ou palmadinhas nas costas, mas perceber no que nos podem ajudar e apoiar.
Dizem-nos as verdades, sem serem brutos, aconselham-nos a planear as coisas sem pressão, educam-nos e dão-nos ferramentas para estarmos preparados para o que for necessário.
Existe ainda o apoio para a família que também é fundamental, e é prestado por eles de forma fantástica. Não esquecer que não sou só eu que estou nesta luta, todos os que me rodeiam são afetados.
Agora imaginem, já não é fácil numa relação quando se tem um filho. Imaginem ter dois e um dos pais estar a lutar contra uma doença terminal. Não é fácil. Psicologicamente foi preciso de ajuda e a equipa dos cuidados paliativos de forma espetacular esteve e está cá para nos ajudar.
Conclusão
Quero concluir relembrando que os Cuidados Paliativos não são só para casos em fim de vida. Os cuidados paliativos estão cá para nos ajudar a lidar com o nosso passado, para nos motivar a viver o presente e para nos preparar para o futuro.
Não imaginava estar a fazer e a viver o que tenho vivido sem o apoio que tenho deles. Numa altura que já não imaginava cá estar, fui pai de gémeos, estou a acompanhar o crescimento deles e pelo feedback que vou recebendo vou motivando outras pessoas pelo caminho.
Claro que tenho consciência que não vai ser sempre assim, mas sei que tenho uma excelente equipa de cuidados paliativos que vai cuidar de mim e proporcionar uma forma humana de partir.
"No fim de contas, só temos uma vida. Nunca se sabe se não se tentar. E nunca se chega a lado nenhum se não se perguntar."
Kate Winslet
Daniel Sopas
Sou uma pessoa interessada por tudo e mais alguma coisa tal como sou também criativo, tenho uma mente hiperativa e quase sempre cheia de ideias. Desde Fevereiro de 2023 luto contra um cancro cerebral, um Glioblastoma de grau IV.




