
A Meta dos Dois Anos – 13.7%
Hoje sim, celebro um aniversário e mais uma das minhas metas alcançadas. Hoje celebro dois anos de sobrevivência, dois anos de luta contra um cancro cerebral, um Glioblastoma. Esta é uma meta que apenas 13.7% das pessoas com a doença alcançam.
Hoje celebro a minha luta contra o cancro cerebral, mas também a de todos que tiveram o azar de se cruzar com esta doença. Celebro todos os que ajudaram na investigação e nas descobertas que têm sido feitas por ela. Nem todos temos a sorte de atingir esta meta, por isso cabe a quem consegue celebrar e divulgar.
13.7%
13.7% para muitos é só um número, uma possível percentagem de desconto. No meu caso era a probabilidade de eu chegar ao dia de hoje.
Como é óbvio não deixa de ser um número entre tantos outros. Com base em dados genéricos e que até são recolhidos nos Estados Unidos, mas são poucos dados que conseguimos ter acesso e que eu utilizo estes para me ajudar a criar metas.
Não são estes dados que definem a minha vida, o meu caminho ou a minha luta. São informações que acabo por usar para criar metas e motivar-me a quebrar e alcançar. É um desafio anual que pretendo ter por muitos anos.
Lembrem-se de que as estatísticas e as médias não nos podem dizer o que realmente vai acontecer.
Fonte da Imagem: GLIOBLASTOMA RESEARCH ORGANIZATION

A importância das metas
Já o referi várias vezes que das primeiras coisas que decidi foi definir a minha luta por metas. Metas essas que tenho definido ao longo do caminho.
Desta forma consigo manter o foco, direcionar os meus esforços e concentrar-me em aspetos que podem estar sob o meu controle. Essas metas podem estar relacionadas com tratamentos, operações, ou mesmo atingir datas específicas.
Elas acabam também por nos proporcionar um senso de propósito e motivação, ajudando a manter a nossa esperança e a vontade de lutar, algo que nem sempre é fácil.
Atingir pequenas metas também aumenta a nossa sensação de controle e dá-nos um boost de autoconfiança. Isso acaba por ser fundamental para o nosso bem-estar mental e emocional.
Estas metas podem também ser um ponto de partida para amigos e família se unirem à volta de um objetivo comum, dando o suporte necessário e valioso.
Um ano de altos e Baixos
A nossa vida é feita de altos e baixos, e este ano para mim não foi diferente. Teve coisas muito boas, teve coisas muito más e teve coisas assim-assim.
Foi o ano de mais uma cirurgia ao cancro cerebral, da qual perdi campo de visão e mais umas mazelas. Mas também foi o ano em que fui pai de uns gémeos lindos.
Fiz crescer o blog tal como a pequena comunidade de lutadores contra o cancro cerebral. Voltei a subir ao palco com a Rita para falar sobre a nossa experiência de vida com esta doença, que foi uma experiência que me deixou sem palavras.
Mas também foi um ano de muita adaptação, de aprendizagem, de luta, de dores, de perdas que foram complicadas de lidar. Ainda hoje, depois de tanto, tenho dificuldades em lidar com a morte de pessoas de que sinto ligação.

Conclusão
Hoje é dia de celebrar a vida, de aproveitar o tempo e de abraçar e beijar os meus filhos. De gritar do fundo do meu ser para todo o mundo ouvir: “Vai te F*** Cancro Cerebral.
Espero e realmente acredito que para o ano vamos estar aqui novamente para celebrar mais um ano, mais uma percentagem, neste caso de cerca de 8%, sim apenas 8%.
"Às vezes é preciso vaguear um pouco e fazer o que não se quer para descobrir o que se deve fazer."
Larry David
Daniel Sopas
Sou uma pessoa interessada por tudo e mais alguma coisa tal como sou também criativo, tenho uma mente hiperativa e quase sempre cheia de ideias. Desde Fevereiro de 2023 luto contra um cancro cerebral, um Glioblastoma de grau IV.




