
Um Fim de Semana de Memórias
Este fim de semana que passou, embora cansativo e com muitos quilómetros feitos, foi um fim de semana que ficará na minha memória. Quer seja pelas experiências, pelo misto de emoções ou mesmo pelos momentos que tornaram estes dias tão especiais.
Desde a presença no programa Dois às Dez, na TVI, à participação no III Congresso Internacional de Cuidados Paliativos em Leiria, o regresso ao Estádio da Luz e o descanso em família no domingo, tudo isto tornou este fim de semana memorável.
Dois às Dez, da TVI
Quem me conhece realmente sabe que nunca fui de gostar de atenção, nem ser centro de atenções. Sempre quis estar por trás das câmeras e não à frente delas. Daí nos meus tempos de dança ter-me dedicado mais ao ensino e não a bailarino.
Desde a doença, que tive de mudar o chip, percebi que tenho de dar a cara e corpo às balas. Só assim vou conseguir chamar a atenção para a doença Glioblastoma e aos cancros cerebrais.
Por causa de um vídeo que fiz para as redes sociais, fui contactado para ir ao programa “Dois às Dez” partilhar a minha história, a minha da Rita e dos Double D.
Obviamente que falámos sobre isto, mas a resposta tinha de ser positiva, o alcance que a nossa mensagem ia ter num programa assim ia ser muito grande, mas estava longe de imaginar o quão grande seria.
Toda a produção e organização foi espetacular, vieram à Figueira filmar, super simpáticos e humanos em relação à nossa história. Adorei que os pratos pintados pela minha avó tenham tido o seu momento de fama. Vasco e Ricardo excelente trabalho no vídeo da reportagem.

Quanto ao programa em si, foi algo que nem imaginava. A equipa foi de uma simpatia tremenda, receberam-nos como se estivéssemos em casa e isso fez com que os gémeos também se sentissem em casa. Obrigado à equipa de baby-sitters.
A Cristina Ferreira acho que conseguiu guiar a conversa de forma humana ao mesmo tempo que conseguia agarrar a audiência. Mas como é óbvio os Double D, o Daniel e a Diana, foram as vedetas. Sou suspeito, mas eles são lindos e portaram-se de forma genial.
O que eu não estava à espera e nem imaginava foi o feedback que tivemos e isso tenho de agradecer a vocês que tornam esta luta um bocadinho mais fácil. Sentir que a mensagem que queremos transmitir é percebida é uma sensação muito boa.
Não quero ser recordado como mais um com cancro terminal, mas como alguém que tenta motivar e inspirar outros a aproveitar o tempo. Não são as doenças que nos definem nem são os diagnósticos que nos limitam.
Volto a agradecer à TVI pelo convite e a toda a equipa pelo excelente trabalho que fizeram para nos receber.

III Congresso Internacional de Cuidados Paliativos em Leiria
Logo depois do programa da TVI regressamos à Figueira, com uma chuvada que não se via nada, mas ainda deu para descansar um bocado e arrancar com o meu irmão para Leiria para participar, a convite da professora Ana Querido, no III Congresso Internacional de Cuidados Paliativos, que decorreu neste fim de semana.
Primeiro tenho de agradecer o convite e honra de ter participado numa mesa com pessoas tão diferentes, mas que tornaram a conversa interessante e completa de diferentes pontos de vista.
O tema era “Como acompanhamos o sofrimento?” mas acabou por ir muito mais, além disso. A Diversidade que tínhamos na mesa e na plateia proporcionou uma boa conversa de fim de dia, num espaço fantástico que é o museu de Leiria.
De vários pontos que se tocou existe um que vou futuramente escrever, mas deixo aqui o tema para vos deixar a pensar. Se vivemos todos no mesmo Portugal, por que motivo eu, na Figueira da Foz, tenho um acompanhamento de cuidados paliativos diferente de alguém no Alentejo ou em Trás-os-Montes?
Mais uma vez obrigado Ana Querido, por permitir que partilhe a minha história, por ajudar-me a perceber mais ainda sobre os cuidados paliativos e ter estas experiências.

Regresso ao Estádio da Luz
No sábado continuou a agitação do fim de semana. Já o referi anteriormente, sou adepto do Benfica, não sou fanático nem obsessivo, apenas gosto do clube e de ver um bom jogo de futebol. Ir ao estádio da Luz ver um jogo do Benfica é mais que futebol. É um espetáculo e uma emoção.
Ouvir 60 mil pessoas a cantar o hino do Benfica é algo que é difícil de explicar, sentimos um arrepio na pele, uma emoção e sentimo-nos em casa.
O ano passado o Medina e o Nando já me tinham proporcionado essa experiência, levando-me a ver um jogo e este ano, o Medina voltou a fazer, desta vez com a experiência de ser um bilhete empresarial.
Isto deu acesso a catering antes e depois do jogo, lugares mais confortáveis e uma coisa que não estava mesmo nada à espera, conhecer um dos meus ídolos de infância/juventude, Michel Preud’homme.
O jogo em si, foi bom, o Benfica venceu, mas acima de tudo fica o convívio a viagem e a experiência em si. Sentir que mesmo com as minhas limitações consigo fazer o que gosto, nem sequer tive de usar os tampões nos ouvidos.

Domingo no Descanso
Depois disto tudo e para acabar o fim de semana de forma perfeita, o domingo tinha mesmo de ser de descanso, não dava para ser de outra forma. Foi tempo de colocar o “Dois às Dez” na televisão e ver o programa em família.
Embora seja estranho estar a ver-me na televisão, não deixei de sentir orgulho, sentir que cumpri o meu dever. Um orgulho enorme dos meus bebés que se portaram tão bem e ficaram tão lindos na televisão.
Claro que o resultado foi umas belas sonecas pela tarde fora, no mimo dos pais, e uma animação na hora de comer. Mas deu para recuperar energias, para começar a semana cheio de energia e com mais desafios para cumprir.

Conclusão
Foi um fim de semana muito ativo e cheio de emoção, mas que provou ainda mais que devo partilhar a minha história. Mostrou-me que devo lutar para divulgar ao máximo a doença e tentar atrair mais investigação e se dê melhores tratamentos e cuidados a doentes paliativos.
Um diagnóstico terminal não é uma sentença de morte. Muitas vezes há muita vida para além do diagnóstico, temos de ter força e coragem para nos adaptarmos e conseguirmos viver.
Não sou o gajo com um cancro e diagnóstico de 3 ou 4 dias de vida, sou o Daniel Sopas, Pai do Daniel e da Diana.
"Quando o mundo inteiro está em silêncio, até uma voz se torna poderosa."
Malala Yousafzai
Daniel Sopas
Sou uma pessoa interessada por tudo e mais alguma coisa tal como sou também criativo, tenho uma mente hiperativa e quase sempre cheia de ideias. Desde Fevereiro de 2023 luto contra um cancro cerebral, um Glioblastoma de grau IV.




